Por fora sou tão
simples, complicada internamente. Sou zero ou um milhão. E foi nisso que me
descobri tão intensa. Logo eu, tão vazia, sou capaz de deixar tantas coisas me
adentrarem. Eternamente insatisfeita. Levando a vida sempre adiando a
felicidade. Medo de virar gente grande. Medo de falar com pessoas por
conveniência, de fingir ter certa opinião para não perder algo. De não ser eu
mesma, de ser só mais uma hipócrita no meio da multidão. De perder a minha
essência. Mas eu não consigo. Não consigo dar dois beijinhos revirando os
olhos. E não suporto quem o faz. É por isso que me congelei na solidão, o mundo
está abarrotado de falsidade. Não quis fechar os olhos para o lado ruim das
pessoas. Amadureci cedo demais. Enxerguei as coisas da vida primeiro. Aprendi
nos erros dos meu pais. Refleti em excesso. Fiz amizades sempre com pessoas
mais velhas que eu. Pessoas que viveram experiências e cometeram erros antes
que eu o fizesse. E acabei não vivendo experiência alguma. Acabei errando tão
pouco… Por já saber o que era errado. Agora fiquei com essa sede, sede de viver
o que não vivi. Viver o que todos já viveram, o que todos contam aos risos
quando aprenderam. Viver o que aprendi só ouvindo. O tempo me fez mudar de um
jeito meio desagradável. Amadurecer demais em pouco tempo é devastador, dói um
pouco. Uma dor interna que não pode jamais ser transmitida. É incompreensível
para quem está do lado de fora.

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